Jovens periféricos estudam em cursos superiores em instituições privadas e trabalham para pagar, mal dando tempo de frequentar aulas e desenvolver formação cultural mínima.
Num tempo em que o mundo se movimenta cada vez mais rápido, é preciso aproveitar ao máximo a escala de vida em que estamos inseridos, aproveitando o máximo possível com um tempo que vai passando cada vez mais rápido. Não é só uma questão do nosso dia a dia, mas também de como estamos vivendo a nossa existência em geral. E para muitos, essa escala de vida pode ser marcada por uma rotina intensa, com muitos compromissos e responsabilidades.
Um exemplo disso é a forma como muitos de nós lidam com as despesas, optando por planos de pagamento em 6×1, como se fosse uma solução para resolver tudo. Mas, em um tempo em que a vida é cada vez mais cara, não é fácil ter a sensação de que estamos ganhando um pouco de tempo para nós mesmos. No entanto, há opções que podem ajudar a aliviar esses problemas de financiamento, como um luxe que não precisa ser tão caro, sabendo escolher bem os nossos recursos.
Tempo, o Tesouro Esquecido
Nesse período, jovens periféricos, que alcançaram a universidade, enfrentam uma realidade desafiadora. A maioria desses jovens estuda em instituições particulares na capital paulista e Região Metropolitana, onde a escala 6×1 é uma constante. Essa rotina, que implica trabalhar seis dias por semana, deixa poucos momentos para o estudo. Trabalhar em shoppings, redes de lanchonetes, no comércio e similares, torna-se o principal objetivo, e estudar passa a ser um luxo que não pode ser permitido.
A vida deles é uma luta constante, onde o tempo é escasso. O trânsito, o trabalho e a faculdade, absorvem a maior parte do dia. Em geral, o esquema é o seguinte: trânsito, quatro horas; trabalho, oito horas; faculdade, três horas. Aí, sobram nove horas para fazer outras coisas, mas na vida deles, isso é mais uma ilusão. Quem é do corre em São Paulo sabe que não dispõe de nove horas livres por dia, e a vida é dura.
Falta tempo para o básico, como ler textos indicados pelos professores e fazer trabalhos. Na maioria dos cursos de graduação, são de três a cinco disciplinas por semestre. Aí vem o meritocrata e diz ‘tem que estudar no dia livre, varar madrugadas’. Não tem, embora há quem faça, pelos motivos mais justificáveis do mundo. Sabe qual a utopia? Ter tempo para descansar corpo e mente, ler um livro, ir ao cinema, construir de fato uma formação cultural mínima. Mas nem a formação para a qual a pessoa está se formando é plenamente possível. E não por dilemas educacionais profundos, complexos, não; simplesmente pela falta de tempo, uma questão cruamente matemática, lógica.
Não sei se, dado o eventual passo civilizatório da abolição da escala 6×1, o ensino superior vai melhorar. Mas com certeza o professor poderá cobrar mais, em contexto mais favorável, e poderá, inclusive, rechaçar desculpas esfarrapadas de quem não corre atrás, mas usa a real dificidade alheia para justificar sua inação.
Fonte: @ Terra
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