Reerguer gestão do ex-presidente e encerrar atividades da CEMDP é o principal obstáculo devido a atos normativos da ditadura militar.
O foco da Comissão de Desaparecidos Políticos (CDP), ligada ao governo federal, é reconstruir o que foi prejudicado durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa observação foi destacada pela procuradora regional da República Eugênia Gonzaga, que preside a CDP, em declaração ao jornal O Globo.
Além disso, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) enfrenta desafios para garantir justiça e reparação às vítimas e suas famílias. A busca por verdade e memória é essencial para o trabalho da CEMDP, conforme ressaltado por Eugênia Gonzaga em sua entrevista.
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos: A Luta de Eugêniza Gonzaga
Eugêniza Gonzaga, procuradora regional da República e presidente da CEMDP, lidera a busca incansável por justiça. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos tem como missão localizar e reconhecer pessoas que foram vítimas da ditadura militar devido às suas atividades políticas.
Durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a comissão foi recriada após ter sido extinta pelo governo Bolsonaro em dezembro de 2022. O encerramento das atividades da CEMDP causou um prejuízo incomensurável, conforme explica Gonzaga.
A procuradora destaca que o governo anterior revogou todos os atos normativos que sustentavam a existência da equipe de identificação de mortos e desaparecidos. A possibilidade de retificação dos registros das mortes foi reinterpretada de forma controversa.
Gonzaga esperava que a comissão fosse recriada antes, mas considera que a medida veio em um momento oportuno. Ela ressalta a importância da luta pela localização dos corpos dos mortos e desaparecidos, mesmo que muitas vezes reste apenas peças de roupas ou outros elementos que pertenciam às vítimas.
Para as famílias, a esperança de realizar um enterro simbólico é essencial. No entanto, o tempo passa e as chances de concretizar essas expectativas diminuem. A falta de celeridade do governo e a falta de sensibilidade para com as famílias são questões que preocupam Gonzaga.
Ela enfatiza que a demora do governo em lidar com essas questões é uma lesão para aqueles que já sofreram tanto. O Brasil, segundo a presidente da CEMDP, não é um exemplo de agilidade quando se trata de justiça e sensibilidade para com as vítimas da ditadura militar.
Fonte: © Conjur
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