Remuneração dos títulos atrelados à inflação atinge máxima desde 2014. Investidores buscam proteção por meio de leilão do Tesouro para lidar com dívida atrelada à inflação, taxa de juros e política monetária.
Tendo em vista a recente evolução das taxas de juros, o mercado financeiro ressaltou a necessidade de um ajuste nos valores das dívidas e, consequentemente, na fixação de novos impostos. Neste contexto, a dívida pública se encontra em uma situação delicada, com base nas decisões de investidores que optam por empréstimos de curto prazo, com juros menores em comparação a dívidas indexadas, dívidas pré-fixadas e dívidas pós-fixadas.
Alguns especialistas chamam atenção para o fato de a dívida pública estar relacionada a uma série de fatores, incluindo a dívida pré-fixada, que é considerada mais segura, mas com taxas de juros mais altas. No entanto, uma dívida pós-fixada, por exemplo, pode oferecer um rendimento mais baixo, mas com a possibilidade de ser ajustada ao longo do tempo para se adaptar a mudanças na economia. Dessa forma, esses instrumentos financeiros servem como uma estratégia para gerenciar a dívida e manter a liquidez, ressaltando ainda mais a importância de um governo eficaz em lidar com a dívida.
Reajuste em Títulos Públicos: Risco de Dívida sob Inspeção
A maior taxa de reajuste nos títulos públicos foi registrada no título com vencimento em três anos, que alcançou 7,33%, 29 pontos-base acima do último leilão. Dessa forma, os patamares atuais são os mais altos desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, quando a taxa chegou a 7,83%. A piora na precificação dos títulos ocorreu após a frustração com o pacote de corte de gastos apresentado pelo governo, refletindo a percepção de risco de não sustentabilidade da dívida pública no longo prazo. A consequência é a elevação dos preços para novas emissões, refletindo o risco associado à dívida.
A busca por títulos pré-fixados, em vez de indexados, tem sido mais intensa, com forte demanda no leilão da última terça-feira, 3. A taxa do título pré-fixado com vencimento em três anos ficou ligeiramente abaixo do consenso, em CDI + 0,04%. Esse movimento é plausível, considerando a crise de credibilidade na questão fiscal, que impacta a colocação dos títulos do Tesouro. Os títulos pré-fixados são considerados menos arriscados, enquanto os indexados têm maior exposição à marcação a mercado, o que pode acarretar perdas significativas caso o cenário fiscal continue a piorar.
O desbalanceamento na demanda coloca em risco o cumprimento do Plano Anual de Financiamento (PAF), que determina a composição da dívida pública por indexador. O plano previa um percentual mínimo de 24% da dívida em pré-fixados no início do ano, que foi revisto para 22% em setembro. Ao fim de outubro, o percentual estava em 22,12%. Com as emissões entre novembro e dezembro, mesmo após a revisão, é provável que o Tesouro termine o ano abaixo do mínimo estipulado. Por outro lado, os pós-fixados, que representavam 39,66% da dívida no fim de 2023, caminham para encerrar o ano acima de 46%.
Essa dependência crescente de títulos pós-fixados traz efeitos adversos para a economia, dificultando a gestão de caixa do Tesouro e comprometendo a eficácia da política monetária. O economista-chefe da TAG Investimentos, André Leite, alerta que a composição da dívida pública está longe de ser ideal, com prazos sendo encurtados e dívida ficando cada vez mais pós-fixada. Isso é ruim, mas condizente com a falta de credibilidade na gestão fiscal.
Fonte: @ NEO FEED
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