Códigos de barras criados há 75 anos, usados em scanners, no caixa, em preto e branco, com retângulo de linhas pretas verticais.
Na década de 1960, a IBM imaginava um futuro sombrio, onde os caixas automáticos eram equipados com laser e scanners de códigos de barras, permitindo que os funcionários das lojas completassem as vendas de maneira rápida, sem a necessidade de contato direto com os clientes. A ideia parecia surreal, mas laser eram a tecnologia do futuro.
Em 1969, Paul McEnroe, funcionário da IBM, defendia que os caixas automáticos deveriam ser equipados com pequenas armas a laser, como pistolas, para facilitar o processo de checkout. Ele imaginava que essas armas a laser seriam capazes de escanear códigos de barras nos produtos, permitindo que os funcionários completassem as vendas de maneira rápida e eficiente. Era uma visão ambiciosa, mas a tecnologia de laser estava começando a se tornar realidade.
O laser foi o catalisador para a revolução dos códigos de barras
A ideia de utilizar códigos de barras para acelerar o processo de pagamento em supermercados foi uma chama acesa por Joe Woodland décadas antes. Ele desenhara linhas na areia de uma praia, vislumbrando o futuro onde consumidores passariam rapidamente pelo caixa com lasers escaneando cada item desejado. Entretanto, os advogados da IBM tinham um ponto cego, chamado ‘suicídio a laser’. Eles temiam que pessoas ferissem intencionalmente seus olhos com os scanners e depois processassem a IBM e que os funcionários dos supermercados ficariam cegos.
O engenheiro da IBM, McEnroe, tentou dissipar essa preocupação, explicando que havia 12 mil vezes mais energia em uma lâmpada de 60 watts. Ele até recorreu a macacos-rhesus importados da África, embora agora não se lembre de quantos. ‘Acho que foram seis’, diz ele, ‘mas não posso assegurar.’ Depois que os testes em um laboratório próximo comprovaram que a exposição ao laser não prejudicava os olhos dos animais, os advogados cederam. Foi assim que a leitura de códigos de barras se tornou comum nos supermercados dos EUA e, por fim, no mundo todo.
Um retângulo de linhas pretas verticais e o nascimento do UPC
O Código Universal de Produtos (UPC) foi o resultado da colaboração de George Laurer e outros membros da equipe da IBM. Eles pegaram a proposta pré-existente de marcações no estilo de código de barras e a desenvolveram até chegar a um retângulo de linhas pretas verticais que correspondiam a um número que poderia identificar de maneira exclusiva qualquer item de supermercado. O setor de supermercados adotou formalmente o UPC em 1973, e o primeiro produto com o código foi escaneado no supermercado Marsh, em Ohio, em 1974.
Em uma reviravolta inesperada, o laboratório usado por McEnroe disse posteriormente que enviaria os macacos para ele. ‘Foi uma loucura’, ele se lembra, rindo, ‘arrumei um zoológico na Carolina do Norte.’ Além dos macacos, cada membro humano da equipe de McEnroe na IBM também merece crédito pelo UPC. Entre eles, estava Joe Woodland, o engenheiro que idealizou o conceito inicial dos códigos de barras décadas antes.
De códigos de barras bidimensionais a QR Codes
Logo apareceram outros tipos de códigos de barras, e o UPC também serviu de alicerce para os chamados ‘códigos de barras 2D’, como os QR Codes, que podem armazenar informações em uma variedade de formatos, incluindo texto, imagens e até mesmo vídeos. A inovação tecnológica permitiu que esses códigos se tornassem cada vez mais sofisticados, permitindo que os consumidores acessassem conteúdo adicional ao ler os códigos.
A ascensão dos códigos de barras foi um marco significativo na história da tecnologia, tornando o processo de pagamento mais rápido e eficiente. Além disso, abriu espaço para uma variedade de aplicações, desde a automação de processos até a criação de experiências de usuário mais imersivas.
Fonte: © G1 – Tecnologia
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