Reajustes nos preços, aumento do custo de vida e cobranças em dólar tornaram estudar no exterior menos vantajoso, como, por exemplo, no caso do aluno que enfrenta alavancado aumento nos custos de serviços.
Em 2022, Danilo chegou ao seu país-natal conta que tudo parecia um sonho, até se tornar um pesadelo na terra do futebol argentino, em 2023.
Ele conta que, após a experiência desencantadora em seu país-natal, com a realidade de mudanças de vida, ele decidiu buscar a estabilidade no Brasil, onde guarda memórias de seu passado.
O retrato do desafio enfrentado pelos brasileiros no exterior
A ascensão dos preços no Brasil e a questão do custo de vida se tornaram questões emergenciais para os jovens que escolheram o país-natal como destino para seus estudos de medicina. A situação de Danilo, com 28 anos, é um exemplo disso. Ele lembra que, até 2023, seus gastos mensais, em reais, eram cerca de R$ 3,5 mil, incluindo a mensalidade da faculdade. No entanto, em setembro de 2023, ele já gastava quase o triplo disso. Em outubro, Danilo decidiu retornar ao Brasil, um caso que se tornou comum ao longo do ano.
Um país vizinho que perdeu a atração
A Argentina era, até 2023, um dos principais destinos escolhidos por brasileiros que queriam cursar medicina no exterior. De acordo com um relatório argentino do Ministério do Capital Humano, mais de 20 mil brasileiros estudavam medicina no país vizinho em 2022. No entanto, dezenas de brasileiros estão voltando para o Brasil ou se transferindo para outros países, especialmente o Paraguai. O principal motivo é o aumento de preços alavancado pelas políticas econômicas do presidente argentino Javier Milei, que impactou todos os setores do país, inclusive o de aluguéis e o de educação.
Uma situação que não era mais viável
Muitos dos brasileiros que estudavam na Argentina confiavam na desvalorização do peso argentino com relação ao real e na estabilidade dos preços de serviços e custo de vida em geral no país. Isso era necessário porque muitos deles ainda mantinham algum vínculo empregatício no Brasil e recebiam em real ou porque recebiam auxílio financeiro da família que havia permanecido no país. No entanto, muita coisa mudou de lá para cá: as universidades passaram a reajustar os preços mensalmente e de maneira imprevisível, o preço do aluguel disparou e muitos locatários passaram a cobrar o valor em dólar, para contornar a baixa do peso argentino, e com contratos de apenas 3 meses, com aumentos frequentes.
Um cenário de xenofobia e pressão
A situação se tornou ainda mais desafiadora com o aumento nos casos de xenofobia, segundo brasileiros, e frases como ‘se está achando que aqui está ruim, então volta para o Brasil’, ‘se a faculdade aqui está cara, vai estudar em uma particular do Brasil’, se tornaram mais comuns. Tudo isso, somado à pressão de estar um país diferente, falando outro idioma e ficando longe da família, contribuiu para que muitos brasileiros decidissem voltar para o país.
De volta ao Brasil: uma nova oportunidade
Voltar para o Brasil pode significar uma oportunidade de continuar o sonho da medicina. É o que acredita o mineiro Bruno*, de 33 anos. Ele voltou ao país após concluir o 5º ano de medicina pela Universidad Abierta Interamericana (UAI). Mesmo faltando um ano para concluir o curso, Bruno está otimista em relação ao futuro.
Fonte: © G1 – Globo Mundo
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