Orientações médicas e textos de saúde escritos por médicos brasileiros Empatia, escuta ativa e consideração pelos valores do paciente nunca serão substituídos por sistemas de saúde eletrônicos.
A medicina moderna não poderia ser imaginada sem a inteligência artificial. A capacidade de processamento de grandes volumes de dados é fundamental para identificar padrões e estruturar hipóteses diagnósticas, aumentando a eficiência no trabalho dos profissionais de saúde. Isso, por sua vez, reduz a burocracia e aumenta a qualidade do tratamento oferecido aos pacientes.
O uso da inteligência artificial no cuidado à saúde é inegável. Com a capacidade de processar dados em larga escala, a IA apresenta-se como uma ferramenta valiosa para os profissionais de saúde. Além de aumentar a eficiência, a inteligência artificial ajuda a identificar padrões que, antes, seriam passíveis de serem perdidos. E, com a tecnologia em constante evolução, a aplicação da inteligência artificial na medicina vem revolucionando o campo, proporcionando novos horizontes e auxiliando na compreensão de doenças mais complexas.
Tecnologia avançada na saúde: equilibrando inteligência artificial e cuidado humano
A busca por eficiência no sistema de saúde é um desafio constante. É fundamental lembrar que a inteligência artificial (IA), apesar de promissora, jamais substituirá a experiência, a ética e o julgamento clínico humano, essenciais para a prática médica. Doenças, diagnósticos, tratamentos e prevenção são fundamentais para orientar os casos médicos, e a IA pode ser uma ferramenta valiosa nesse processo. No entanto, cada ser humano é único, com uma complexidade que supera a análise da máquina e dos prontuários eletrônicos.
O uso da IA, embora represente compromisso com a ciência, não pode abolir a intuição e a percepção delicada do subjetivo. A medicina baseada em evidências é uma abordagem que reúne as melhores informações científicas disponíveis para tomar decisões clínicas, mas é necessário avaliar a qualidade metodológica, validade, aplicabilidade e consistência dos resultados. A experiência do examinador e as preferências e valores do paciente devem ser considerados, dentro da sua história de vida e necessidades.
É aqui que entra o fator humano, a experiência que deve nortear o dia a dia do médico e a questão ética. Ignorar este imenso universo em troca da conclusão da IA é entrar no obscuro da caixa preta. A entrada deste sistema com milhões de arquivos, bancos de dados gigantescos e diferentes origens, computadores e programadores, traz a possibilidade de agregar ajuda, mas também a produzir cenários alucinados e conduzir o médico a erros.
Os desafios éticos relacionados à privacidade e confidencialidade, ao risco de enviesamento que corrompe a trilha de equidade e desafios à transparência e clareza do racional são fundamentais. Como garantir a proteção de dados do paciente contra acessos não autorizados? Como evitar discriminações e garantir que não estamos lidando com resultados que ampliam a iniquidade? A transparência e clareza dos processos e decisões complexos dos sistemas para profissionais de saúde e pacientes são fundamentais.
A questão é tão relevante que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e instituições internacionais entraram na discussão para estabelecer diretrizes éticas e práticas para o uso dessa tecnologia. Aqui no Brasil, esse movimento é liderado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e pelo Instituto Ética Saúde (IES). Mais de 20 entidades, empresas e pessoas físicas, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde, reafirmaram o compromisso com o Marco de Consenso para a Colaboração Ética Multissetorial na Área de Saúde.
Esse movimento é um dos maiores desafios éticos na área de saúde, exigindo um compromisso sério com a ética e a transparência no desenvolvimento e uso da inteligência artificial na saúde.
Fonte: @ Veja Abril
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