Grupos cibernéticos desvendaram informações funcionais de servidores de Tribunais de Justiça e autarquias previdenciárias, além de governos de 15 estados e concessionárias de telefonia, incluindo juízes e desembargadores, utilizando engenharia social para cometer fraudes.
Segundo relatório da Polícia Civil do Estado de São Paulo, uma quadrilha com alcance nacional usou 120 milhões de dados de brasileiros, que ficaram expostos à venda e foram acessados por sua organização criminosa. O número é alarmante e afeta metade da população brasileira, considerando o número de habitantes do país.
A investigação reforçou a importância de se proteger contra a exposição de dados pessoais. Os crimes de roubo de informações são cada vez mais comuns e agravantes. Em um cenário de vulnerabilidade, é crucial que as pessoas sejam cautelosas com suas informações sensíveis, como dados financeiros, pessoais e de contato, para evitar maiores problemas.
Grupos criminosos manipulam dados de brasileiros
Um grupo de sete pessoas foi preso por vender informações de servidores de Tribunais de Justiça, incluindo juízes e desembargadores, e de governos de 15 estados, além de autarquias e concessionárias de telefonia. Os dados estão sendo usados para facilitar crimes cibernéticos e podem estar relacionados a fraudes e golpes digitais. Dados pessoais de servidoras e servidores públicos, policiais e civis estão expostos. ‘Não há dúvidas de que um de cada dois brasileiros tiveram os dados vazados. Se levarmos em cuenta a população economicamente ativa, essa proporção fica até maior’, afirmou o delegado Everton Contelli, coordenador da Unidade de Inteligência da Polícia Civil.
Os dados de um banco de dados do governo do estado do Rio de Janeiro foram utilizados para extrair 170 mil informações de servidores. Os criminosos têm poder de manipular dados de diversos indivíduos, de acordo com as investigações. ‘Conseguimos alcançar o call center do crime. Milhões de dados de funcionários públicos, de policiais e de toda a população brasileira, infelizmente, estavam nas mãos dos criminosos’, complementou Contelli.
Com base nas informações obtidas, foi possível traçar os caminhos utilizados pelos criminosos para obter os dados e identificar os clientes que compraram as informações. As investigações revelaram que os grupos criminosos estão atraindo novos clientes. Os dados podem estar sendo utilizados para lavagem de dinheiro e evitar a fiscalização. ‘As técnicas de investigação revelaram que o grupo realiza uma espécie de enriquecimento dos dados, juntando diversos arquivos de fontes distintas para gerar um maior valor de mercado nos arquivos que são comercializados por demanda’, afirma.
Os clientes identificados são empresas de telemarketing, profissionais liberais e empresários. ‘Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Campinas, Praia Grande, Bauru e Taubaté, no estado de São Paulo, e em Londrina e Uraí, no Paraná’, informou o delegado. A Policia Civil afirmou que as investigações revelaram que os dados de uma grande parte dos brasileiros estão nas mãos de criminosos, o que afronta a Lei Geral de Proteção de Dados e traz vulnerabilidades que facilitam a prática de crimes cibernéticos.
Fonte: © Notícias ao Minuto
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