Combater a popularização das casas de apostas que destroem a saúde financeira e psíquica de famílias, afetando a renda disponível e a educação, gerando conflitos de interesse.
A vida pode mudar em um instante. Estava resolvendo um problema pessoal em casa e não pude responder antes. Tudo bem com a minha família, mas a situação da nossa empregada doméstica é preocupante. Ela pediu para conversar comigo e me contou que está pensando em voltar para o Nordeste devido às ameaças de morte que o marido dela tem recebido. Além disso, a fachada da casa deles foi destruída. Tudo isso começou quando o marido dela se envolveu em apostas.
O vício pode levar a consequências graves. A situação da nossa empregada doméstica é um exemplo disso. O marido dela se envolveu em apostas e agora está sofrendo as consequências. Além das ameaças de morte, a família está passando por um momento de grande estresse e ansiedade. É importante lembrar que jogos de azar podem levar a uma dependência e, se não tratada, pode afetar não apenas a pessoa que joga, mas também seus entes queridos. É fundamental buscar ajuda profissional antes que a situação piore.
A Epidemia das Apostas
Segundo relatos, o que começou como uma brincadeira inocente rapidamente se transformou em um vício devastador. Um indivíduo perdeu uma grande quantia de dinheiro e tentou recuperá-la, mas acabou se afundando ainda mais. Ele pediu dinheiro emprestado a um agiota com juros de 10% por semana, o que obviamente se tornou uma bola de neve insustentável. O resultado foi a destruição do patrimônio familiar e uma promessa de vingança.
A maior bandeira de educação financeira no Brasil hoje não é apenas ensinar sobre a importância da poupança ou evitar os conflitos de interesse da indústria. Precisamos combater a popularização das casas de apostas, que avançam como uma pandemia e destroem a saúde financeira e psíquica de famílias. O caso narrado é apenas um exemplo de um fenômeno mais amplo.
O Impacto das Apostas na Sociedade
De acordo com dados do Raio-X do Investidor Brasileiro, 22,4 milhões de brasileiros fizeram algum tipo de aposta em 2023, o que representa 14% da população. Isso é incomparável ao número de investidores de ações (apenas 2%) ou mesmo aos detentores de títulos públicos, cotistas de fundos de investimento e beneficiários de planos de previdência. Além disso, os gastos dos brasileiros com as taxas de serviços para os prestadores estrangeiros dos serviços de apostas mais o valor para compor o prêmio bateram R$ 68,2 bilhões.
Os prêmios recebidos teriam chegado a R$ 44,3 bilhões, resultando em um saldo líquido de R$ 23,9 bilhões entre gastos e ganhos. Isso representa 0,2% do PIB ou 1,9% da massa salarial. Esses quase 2% da massa salarial estão sendo transferidos, no geral, de camadas menos favorecidas da população para o bolso dos donos das bets.
O Vício em Apostas e suas Consequências
Pesquisa do Datafolha mostrou que 17% dos beneficiários do Bolsa Família informaram já ter feito apostas on-line, sendo que um terço faz apostas ao redor de R$ 100 por mês, em sua maioria jovens e homens. Além disso, pessoas com menos de 30 anos já representam 36,3% dos pacientes atendidos por dependência em apostas no Hospital das Clínicas em São Paulo. Milhões de famílias estão tendo sua renda disponível diminuída pelo vício no jogo, o que afeta a saúde financeira e psíquica.
O acesso a cestas de consumo ou lazer fica menor, e em casos mais graves, o endividamento explode. Sem saúde financeira, não há psiquismo que aguente. O dinheiro não entra pela porta, o amor voa pela janela, e assim relações também vão sendo destruídas. Além da corrosão de patrimônios familiares, a natureza das casas de apostas, em muitas situações, tangencia a relação com o crime organizado e a lavagem de dinheiro.
Fonte: @ Valor Invest Globo
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